O Maior Mandamento – por Luciano Subirá

28/02/2010

A minha esposa Kelly e eu, desde bem cedo, ensinamos aos nossos filhos a amarem ao Senhor acima de todas as coisas. Enfatizamos tanto que Deus vem antes de tudo que, algumas vezes, cheguei a ficar desconcertado com algumas respostas que me davam e que evidenciavam este entendimento. Certa ocasião, fazendo pose de “fortão”, daquele jeito que imita os halterofilistas, perguntei ao meu filho Israel: “Quem é o cara mais forte do mundo?” Sem hesitar, ele respondeu direto: “Jesus!” Sem graça, eu lhe disse: “Sim, mas e depois de Jesus?” Então ele replicou: “Ah, depois de Jesus é você!” Em outra ocasião, questionei a minha filha Lissa: “Quem é o pai mais lindo do mundo?” Sem titubear, ela respondeu: “Deus!” Novamente sem graça, eu lhe disse: “Sim, mas e depois de Deus?” Então ela afirmou: “Ah, bom! Depois de Deus é você, papai!”

Se você perguntar aos meus filhos quem é a pessoa que eles mais amam, eles vão dizer que é Deus. Fico feliz com isto, pois eu os vejo crescendo com os valores corretos. Tenho aprendido que não basta darmos a Deus apenas uma certa atenção ou valor. Ele quer toda atenção e valor! Ele pede amor total!

Enquanto Deus não for o que temos de mais importante e valioso, não estaremos cumprindo o que Ele espera de nós. Por causa deste princípio, encontramos na Bíblia histórias como a do sacrifício de Isaque que o Senhor pediu a Abraão. O Senhor espera ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. Ninguém (nem mesmo os nossos familiares – normalmente os que mais amamos) pode ocupar o primeiro lugar, o qual pertence somente a Deus! Isto é muito evidente nos ensinos do Senhor Jesus, registrados nos Evangelhos:

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10.37)

O PRIMEIRO MANDAMENTO

Além de reconhecermos que amar ao Senhor é um mandamento divino, também precisamos entender que este é o Primeiro Mandamento que recebemos da parte de Deus:

“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.” (Marcos 12.28-30)

Quando Jesus foi questionado sobre o Primeiro (ou Principal) Mandamento, Ele foi direto ao assunto mais forte do ensino bíblico: o amor. Falou primeiro do amor ao Senhor e depois sobre o homem amar ao próximo como a si mesmo.

Ao destacarem um mandamento em relação aos demais, as Escrituras não diminuem nenhum dos outros mandamentos, mas mostram que o cumprimento deste nos influencia no cumprimento dos demais.

Há algo extraordinário no amor. E, mesmo antes de falar sobre o amor ao próximo, Deus nos pede que O amemos. Sem amar ao Senhor, ninguém jamais encontrará a fonte inesgotável de amor, a qual nos permite amarmos verdadeiramente ao nosso próximo. Deus é amor, e sem que nos misturemos com Ele por meio de uma íntima comunhão, não teremos recursos nem condições de amarmos a ninguém!

Algo que realmente me impressiona é o fato de Deus pedir não somente um amor de coração, alma, entendimento e forças, mas também um amor de todo coração, de toda alma, de todo entendimento e de todas as forças! Deus Se manifestou de uma maneira tremendamente exigente neste assunto. Ele não quer uma manifestação de amor parcial. Nada O satisfaz, a não ser o amor total de cada parte que completa o todo do nosso ser!

Sabemos qual é a expectativa que o Pai Celestial tem com relação ao nosso relacionamento com Ele. Ele não estabeleceu este mandamento como o primeiro – e mais importante – de todos, somente para ter o nosso amor, mas para garantir que O amemos acima de tudo e de todos. O Primeiro Mandamento revela não somente o que temos que fazer (amá-Lo), mas principalmente a intensidade com que devemos obedecê-lo: de todo o nosso ser!

MALDIÇÃO NA IGREJA

Há uma maldição assolando a muitos na Igreja de Jesus Cristo em nossos dias. Por mais que ensinemos que Cristo Se fez maldição por nós, para que recebêssemos a bênção (Gl 3.13-16), e que temos uma herança em Deus, há crentes que nunca entram no lugar de bênção que o Senhor tem para eles, porque vivem numa permanente quebra de princípios das Escrituras.

Mesmo ciente de que “Deus nos abençoou com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo Jesus” (Ef 1.3) e que esta é a nossa posição de direito em Cristo, afirmo que há crentes que jamais chegarão a usufruir da plenitude que o Pai Celestial tem para as suas vidas!

Eles estão quebrando um princípio divino. Estão acionando contra si mesmos uma lei estabelecida na Palavra de Deus. E, enquanto não entenderem e praticarem este poderoso princípio, não haverá confissão de fé que lhes proporcione esta bênção divina!

Quando não oferecemos a Deus o nosso amor, estamos nos rebelando com relação ao Seu Primeiro e Maior Mandamento. Não entendo como eu li tantas e tantas vezes este trecho bíblico sem enxergar a sua profundidade! Porém, em certa ocasião, Deus abriu os meus olhos:

“Se alguém não ama ao Senhor seja anátema.” (1 Coríntios 16.22)

Segundo a Concordância Exaustiva de Strong, a palavra grega “anathema” significa: 1) algo preparado ou separado para ser guardado ou dedicado; especificamente, uma oferta resultante de um voto, que depois de ser consagrada a um deus era pendurada nas paredes ou colunas do templo, ou colocada em algum outro lugar visível; 2) algo dedicado a Deus sem a esperança de recebê-lo de volta, referindo-se a um animal doado para ser sacrificado; daí, uma pessoa ou algo destinado à destruição; uma maldição, uma praga; um homem amaldiçoado, destinado à mais terrível das tristezas e angústias.

Há muitas pessoas nas igrejas evangélicas que não entendem porque não alcançam aquele lugar de completa realização em Deus. Fazem tudo o que lhes mandam, todo tipo de “campanhas” e “receitas milagrosas”, mas, ainda assim, não conseguem encontrar a plenitude da bênção de Deus! A verdade é que há uma maldição (que mantém as pessoas cativas à tristeza e à angústia) sobre muitos cristãos hoje! É a consequência do pecado da falta de amor ao Senhor!

BÊNÇÃO X MALDIÇÃO

As Escrituras Sagradas mostram claramente que as nossas escolhas determinam a bênção ou a maldição sobre as nossas vidas. Ao dar ao homem o livre arbítrio (o direito de escolher), Deus também o conscientizou sobre o resultado das suas escolhas:

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.” (Deuteronômio 30.19)

A mensagem bíblica é clara. Há dois caminhos: o da vida e da bênção, e o da morte e da maldição! A escolha é do homem, não de Deus! Da parte de Deus temos o conselho, a sugestão para a escolha certa. E a escolha de sermos abençoados ou não é feita quando optamos pela obediência ou pela desobediência aos mandamentos divinos. Observe os detalhes do texto todo:

“Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” (Deuteronômio 30.15-20)

Este é o mesmo princípio que aparece em Deuteronômio (27 e) 28 e 29, quando o Senhor fala a respeito de bênçãos e maldições: a obediência produz bênção, e a desobediência produz maldição!

“Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos…” (Deuteronômio 28.1,2)

Todas as bênçãos citadas neste capítulo seguiriam o povo de Deus se houvesse da parte deles a disposição de andarem nos mandamentos do Senhor. Contudo, se decidissem não obedecer, então as maldições os seguiriam:

“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão.” (Deuteronômio 28.15)

A bênção é uma intervenção divina que nos leva a experimentarmos coisas melhores do que a nossa própria capacidade nos levaria a conseguirmos. Se, por exemplo, ao lavrarmos uma terra, o seu potencial de produção natural fosse um certo valor, com a bênção de Deus conseguiríamos obter resultados bem melhores. Por outro lado, a maldição é um juízo divino que permite uma ação maligna que, no exemplo já mencionado, da lavoura, nos levaria a termos perdas e prejuízos.

Uma vez estabelecido este fundamento, precisamos olhar para o princípio de amarmos ao Senhor como sendo um mandamento da Palavra de Deus. Portanto, a desobediência a este mandamento implica em maldição!

Vivemos dias de uma grande “colheita”. Nunca antes vimos tantas pessoas convertendo-se ao Senhor. Recentemente, li uma reportagem no jornal “A Folha de São Paulo”, dizendo que somente na capital paulista são iniciadas (com registro oficial) quase duas igrejas por dia! Além das novas igrejas, as já estabelecidas crescem cada vez mais. Satanás já não consegue mais deter o crescimento da Igreja. Assim sendo, ele procura diluir a nossa força em Deus, corrompendo-nos em algumas práticas importantes, principalmente na questão do amor ao Senhor. Muitas igrejas hoje estão cheias de pessoas que correm atrás de uma “bênção”, mas não cultivam amor ao Senhor em seus corações! São pessoas para quem o conselho da mulher de Jó, “Amaldiçoa teu Deus e morre” (Jó 2.9), seria muito bem aceito, caso percebessem que não foram abençoadas ou atendidas!

O grande avivamento que está por vir e as tremendas bênçãos de conquistas decorrentes dele dependem de uma nova atitude da Igreja na forma de buscarmos ao Senhor.

Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

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