Estudos Bíblicos

Realidades da Nova Criação – por Luciano Subirá

 “Pelo que, se alguém esta em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2 Coríntios 5.17)

Todo aquele que está em Cristo, é, sem exceção, uma nova criatura. É uma nova criatura porque nasceu de novo (Jo 3.7); porque foi gerado pela palavra da verdade (Tg 1.18); porque foi criado em Cristo Jesus (Ef 2.10); porque nasceu, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e permanece (1 Pe 1.23).

Se você está em Cristo, então agora é uma nova pessoa. Tudo quanto pertencia à sua vida velha já não mais é levado em conta em relação a você. Seu passado aponta para os atos de uma pessoa morta, que legalmente já não existe mais.

Ser nova criação, implica em ter nova identidade. E é isto que a Bíblia quer dizer quando fala que “tudo se fez novo”, ou, segundo a tradução da Bíblia de Jerusalém, “se fez uma realidade nova”. Agora você é uma nova pessoa, com uma nova identidade e realidade acerca de si mesmo. Tudo quanto a Palavra de Deus diz que você É, TEM e PODE FAZER, você realmente é, tem e pode fazer! Isto faz parte da nova realidade.

Quando a Palavra Deus diz que tudo se fez novo, ela não quer dizer que você foi melhorado como se fosse um pneu recalchutado; de modo nenhum! Ela quer dizer que você foi recriado, refeito, e que há uma nova realidade a seu respeito! Isto não é maravilhoso?

Antes de sermos recriados em Cristo, éramos escravos do pecado, mas agora há uma nova realidade a nosso respeito: o pecado já não mais tem domínio sobre nós (Rm 6.14). Nem o pecado, nem o diabo, nem as conseqüências do pecado, tais como: a enfermidade e dor, a miséria e toda forma de maldições, nenhuma destas coisas têm mais domínio sobre nós! É uma nova realidade que passamos a usufruir em Cristo Jesus.

Entretanto, muitos crentes podem testemunhar que na prática, em sua vida diária, parece que muito daquilo que a Palavra de Deus diz a nosso respeito, como estas realidades da nova criação por exemplo, se encontram, às vezes, tão distante de nós… Sabemos que a Palavra de Deus é a verdade e que Deus não pode mentir.

O próprio Senhor Jesus, orando ao Pai, disse em João 17.17b: “a tua palavra é a verdade”. Logo, a Palavra de Deus é digna de toda confiança! Mas mesmo depois de ter nascido de novo, parece que ainda vivemos presos a nossa velha vida e que estas realidades da nova criação não são tão reais assim… Muitos declaram ficar confusos por não verem automaticamente o cumprimento destas verdades.

Sei que você já deve ter se feito indagações, tais como:

Porque isto é assim? A Palavra de Deus é a verdade ou não? Se é a verdade, porque às vezes parece não funcionar? Se ela diz que o amor de Deus é derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5.5), porque muitos de nós não conseguimos amar? Se ela diz que pelas Pisaduras de Jesus nós fomos sarados (Is 53.5 e 1 Pe 2.24), porque muitos de nós permanecemos doentes? Se ela diz que o Senhor é nosso Pastor e nada nos faltará (Sl 23.1), porque tantos cristãos estão em constantes necessidades? Se ela diz que o pecado não tem mais domínio sobre nós (Rm 6.14), porque constantemente somos vencidos por ele? Se ela diz que Deus deu ordens aos seus anjos para que nos guardem (Sl 91.11), porque o mal nos sobrevém? Se ela diz que Deus não nos deu espírito de medo, mas de poder (2 Tm 1.7), porque temos tanto medo? Se ela diz que o Senhor é à força de nossas vidas (Sl 27.1), porque tantos de nós vivem tão fracos? Se ela diz que o justo é ousado como leão (Pv 28.1), porque há tantos cristãos covardes? Se ela diz que o justo nunca será abalado (Sl. 125.1 e Pv 10.30), então, porque isto acontece com tantos? Se ela diz que nenhuma arma forjada contra nós prosperará, pois este é um direito dos servos do Senhor (Is 54.17), porque, pois, o inimigo consegue, por algumas vezes, prevalecer com suas artimanhas contra muitos de nós? Se ela diz que podemos todas as coisas naquele que nos fortalece (Fl 4.13), porque há momentos em que parece sermos tão impotentes? Se ela diz que somos mais que vencedores (Rm 8.37), qual é, pois, a razão de tantos cristãos viverem vidas derrotadas, fracassadas, sem qualquer sucesso em tantas áreas de suas vidas? Porque há tanta diferença entre aquela realidade prometida na Bíblia e aquela experimentada no dia-a-dia? Se a Palavra de Deus é a verdade, porque nos deparamos com esta contradição entre as promessas e nossa própria experiência?

Estas têm sido algumas das muitas questões que às vezes atingem ou a nós ou a nossos irmãos mais próximos, e que nos deixam sem resposta, visto ser indiscutível a veracidade e fidelidade da Palavra de Deus. Sabemos que e impossível Deus mentir, e que cada uma de suas promessas, bem como suas afirmações acerca de nós são plenamente reais e que a Palavra de Deus é digna de toda confiança. Contudo, ficamos perplexos e sem resposta ante a aparente contradição daquilo que Deus, em sua Palavra, diz acerca de nós e aquilo que experimentamos em nossa vida. Visto ser inquestionável a veracidade e fidelidade da Palavra do Senhor, onde esta a resposta para esta comum indagação daqueles que não tem desfrutado de tudo quanto a Palavra diz a seu respeito?

A RESPOSTA: DOIS TIPOS DE VERDADE

É necessário entendermos que nem tudo o que lemos nas Escrituras acerca de nossa nova realidade se cumprirá automática e imediatamente. Há dois diferentes tipos de verdade com os quais lidamos, e isto se deve ao fato de que nos relacionamos com dois diferentes reinos: O ESPIRITUAL e O NATURAL.

Para cada reino há um tipo de verdade. Para o reino espiritual há aquela que denominaremos verdade ESPIRITUAL, e para o reino natural há aquela que denominaremos verdade NATURAL. Por sermos seres espirituais, e não somente físicos, inevitavelmente nos relacionamos com estes dois reinos, onde encontramos, em cada um, um diferente tipo de verdade. Passemos agora a analisar uma Passagem bíblica que nos mostra claramente isto:

“Ora, o rei da Síria fazia guerra a Israel; e teve conselho com os seus servos, dizendo: Em tal lugar estará o meu acampamento. E o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: Guarda-te de passares por tal lugar, porque os sírios estão descendo ali. Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar, de que o homem de Deus falara, e de que tinha avisado, e assim se salvou. Isso aconteceu não uma só vez, nem duas. Turbou-se por causa disto o coração do rei da Síria, que chamou os seus servos, e lhes disse: não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel. Respondeu um dos seus servos: não é assim, ó rei meu senhor, mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na sua câmara de dormir. E ele disse; Ide e vede onde ele está para que eu envie, e mande traze-lo. E foi-lhe dito: Eis que está em Dotã. Então enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais vieram de noite e cercaram a cidade. Tendo o moço do homem de Deus se levantado muito cedo, saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros. Então o moço disse ao homem de Deus: Ai, meu senhor! Que faremos? Respondeu ele: não temas; porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles. E Eliseu orou, e disse: Ó Senhor peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu.” (2 Reis 6.8-17)

O que aprendemos nesta passagem? O moço de Eliseu, ao acordar, se depara com um quadro nada agradável: um exército cercara a cidade. Desesperado, corre ao profeta perguntando-lhe o que fazer, pois o exército enviado a busca-lo era grande, enquanto eles estavam somente em dois.

A resposta de Eliseu pode até parecer uma mentira, totalmente oposta daquilo que o moço vira com seus olhos naturais; ele lhe diz: “não temas. Porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles”. Se Eliseu tivesse parado aí, sua afirmação seria, aos olhos daquele moço uma grande mentira; porém ele prossegue e pede ao Senhor que abra os olhos de seu moço. Que olhos? É claro que não falava dos olhos físicos, os quais eram perfeitos, caso contrário este moço não teria visto o exército sírio. O profeta se referia aos OLHOS ESPIRITUAIS. Orava para que o moço visse algo, não no reino natural, mas sim no reino espiritual.

Este moço havia apresentado a Eliseu uma realidade natural que podia ser comprovada por uma olhada à sua volta: o grande exército que os cercava e o fato de estarem sozinhos. Contudo, o profeta Eliseu lhe respondeu apresentando uma realidade totalmente oposta daquilo que os seus olhos naturais haviam visto, e para justificar sua afirmação, orou ao Senhor para que o moço pudesse ver a realidade desta sua afirmação no reino espiritual. Somente penetrando no reino espiritual é que a afirmação do profeta seria entendida e comprovada como realidade.

Note que o moço apresentou a verdade NATURAL desta situação, aquilo que os olhos naturais viam e o que podia ser confirmado pelos sentidos físicos; mas Eliseu apresentou a verdade ESPIRITUAL acerca de tal situação, aquilo que seus olhos físicos desmentiam, mas que no reino espiritual era real.

Este é um exemplo perfeito dos dois tipos de verdade. Se tivessem olhado para o reino natural somente, estariam perdidos nas mãos do rei sírio; mas o homem de Deus se recusou a aceitar a realidade natural, visto ter no reino espiritual a realidade de sua proteção e livramento. O reino natural dizia que eles estavam em apuros, mas o reino espiritual dizia que eles estavam protegidos. O reino natural dizia que o exército sírio era em maior número do que eles, mas o reino espiritual dizia que eles é que estavam em maior número, pois o exército celestial estava com eles.

Você percebe a contradição entre uma coisa e outra?

Contudo, se olhássemos somente para o reino natural, o que o moço disse seria a pura verdade. Entretanto, não vivemos somente num reino natural, mas também num reino espiritual, e a realidade dele muitas vezes difere da realidade do reino natural.

A PALAVRA DE DEUS É ESPIRITUAL

Diante da aparente contradição que percebemos entre a Palavra de Deus e nossa situação na prática, na vida cotidiana, não há mentira nem no que Deus diz e nem tampouco no que as circunstâncias dizem.

Tanto um relatório como outro são reais, porém, o fato é que um ocupa um plano espiritual enquanto outro ocupa um plano material. Trata-se de dois diferentes tipos de verdade. As afirmações do Senhor Jesus nestes dois versículos abaixo revelam que de fato a Palavra o Senhor está no plano espiritual:

“As palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida”. (João 6.63)

“Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. (Mateus 4.4)

A palavra de Deus é espiritual, revela um Deus que é espírito, e fala-nos de coisas espirituais, pertencentes ao reino do espírito. Suas afirmações são verdades espirituais.

VERDADES ESPIRITUAIS

As circunstâncias à nossa volta e tudo aquilo que é visível ou perceptível aos nossos sentidos, revelam verdades naturais. Veja bem: Jesus Cristo morreu por você há mais de 2.000 anos atrás (no nosso calendário; no de Deus foi antes da fundação do mundo – Ap 1.8). Tudo quanto Deus tinha que fazer concernente à nossa salvação, Ele o fez em Cristo Jesus, sobre quem fez cair a iniqüidade de nos todos e em quem riscou o escrito de divida que havia contra nós.

Legalmente, Jesus quitou a dívida de todos os pecadores para com Deus, a fim de os reconciliar com o Pai. Nesta ocasião, Deus fez uma troca através do sacrifício de Jesus, e tomou a justiça e retidão do Senhor Jesus que não conheceu pecado, e no-las imputou. A partir de então, tendo já consumado o plano de redenção e salvação do homem, Deus nada mais faz neste sentido. Agora é o pecador que tem que fazer algo: arrepender-se e crer no evangelho, na obra que Cristo fez em seu favor e no que agora lhe pertence.

Diante disto, quero que entenda algo: a sua salvação já lhe pertencia por direito legal desde a morte de Cristo; era uma realidade a seu respeito no reino espiritual; contudo, ela só se manifestou interferindo na realidade natural quando você creu e passou a ter uma confissão neste sentido (Rm 10.9,10).

Do ponto de vista de Deus, você tinha a salvação como algo que era realmente seu, porém esta era uma realidade somente no reino espiritual. Mas, ao tomar posse pela fé daquilo que já lhe havia sido dado, você alterou a realidade natural à sua volta e em você mesmo com a realidade espiritual que Cristo conquistou a seu favor.

É isto que acontece quando nascemos de novo. Uma realidade nova se estabelece em nossa vida, embora já estivesse disponível antes. Do mesmo modo opera toda a Palavra de Deus com suas promessas e aquilo que o Senhor Jesus nos conquistou no Calvário!

São verdades espirituais a nosso respeito, que muitas vezes estarão em choque com a realidade natural. Mas assim como no caso da justificação, os responsáveis por trazer esta realidade espiritual para o reino natural somos nós, e isto mediante a fé, assim também o é com tudo aquilo que espiritualmente é nosso!

Precisamos aprender a operar a nossa fé com todas as outras promessas de Deus assim como temos feito com relação ao perdão de nossos pecados; a fé ignora o relatório do reino natural e se apega sempre as realidades do reino espiritual. Paulo, escrevendo aos coríntios, disse:

“Porque andemos por fé e não por vista”. (2 Coríntios 5.7)

Você não deve andar por aquilo que vê, ouve ou sente, mas unicamente por aquilo que a Palavra de Deus diz! Andamos por fé na Palavra de Deus que é o relatório das realidades espirituais e não por aquilo que vemos, que é o relatório das realidades naturais.

O único meio de experimentarmos as verdades da Palavra de Deus em nossa vida é ignorarmos o relato do reino natural e nos apegarmos firmemente ao que Deus diz, até que isto se manifeste! Penso que era isto que Paulo queria dizer quando escreveu: “seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso!” (Rm 3.4). Se andarmos por fé, ficamos com o que Deus diz acerca de qualquer situação, e não como o que o reino natural nos diz! Andamos por fé e não por vista! Aleluia! Agora veja o versículo que dá o contexto a esta afirmação de Paulo:

“Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas”. (2 Coríntios 4.18)

Ele diz: NÃO ATENTANDO, ou seja: não dando atenção (não considerando, não contemplando, não levando em conta) às coisas que se vêem, mas sim às que se não vêem. O que é o aquilo que se vê? O reino natural e sua realidade. O que é aquilo que não se vê? O reino invisível, e sua realidade espiritual.

Poderíamos ler a primeira parte deste versículo assim: “Não considerando nós as coisas visíveis, mas sim as invisíveis”. Ou ainda: “Não considerando nós as coisas naturais, mas sim as espirituais”. E aplicando isto de um modo mais claro ao nosso estudo, diríamos: “Não considerando nós o relato das circunstâncias, mas o que Deus em sua Palavra diz!”

Por quê? Porque andemos por fé e não por vista. Preferimos ficar com as verdades espirituais quando elas diferem das naturais. Observe este versículo na tradução da Bíblia de Jerusalém:

“Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”. (2 Coríntios 4.18 – Bíblia de Jerusalém)

Ao explicar porque considerava o invisível e não o visível, Paulo diz: Porque as coisas que vêem são TEMPORAIS, enquanto as que se não vêem são ETERNAS.

As coisas visíveis – do reino natural – são temporais (sujeitas ao tempo). Ou, segundo a Bíblia de Jerusalém, são TRANSITÓRIAS (ou passageiras). Mas as invisíveis – as coisas espirituais – são ETERNAS (não passam e nem mudam).

As circunstâncias sempre serão temporais, mutáveis; mas a Palavra do Senhor permanece para sempre (1 Pe 1.25), ela jamais passará (Mt 24.35), pois para sempre está estabelecida nos céus (Sl 119.89)!

Sabe o que isto significa?

Que o que deve ser mudado quando você experimentar um choque de realidades (a da Palavra e da sua vida natural) é a verdade natural que é TRANSITÓRIA e não a verdade espiritual, que é ABSOLUTA!

Precisamos estar conscientes de que o espiritual é mais elevado do que o natural! É muito mais real que o natural, pois foi do espiritual que veio a existir o natural:

“Pela fé é que nos entendemos que foram formados os séculos pela palavra de Deus. Para que o visível fosse feito do invisível”. (Hebreus 11.3 – Figueiredo)

“Pela fé entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que aparecem”. (Hebreus 11.3 – Atualizada)

O espiritual é muito mais elevado e real que o natural! As realidades da nova criação (nossa posição em Cristo), e tudo o que Deus diz que SOMOS, TEMOS ou PODEMOS, estão no plano espiritual. Nós é que devemos trazer a manifestação destas verdades para o reino natural; e isto através da operação da fé!

Quando você se encontra doente e a Palavra de Deus diz que pelas feridas de Jesus você foi sarado, temos um choque da realidade natural com a espiritual. Isto não significa que sua cura não seja real e nem tampouco que a doença não seja real, mas sim que cada uma se encontra num plano; o que Deus diz é uma verdade espiritual e que o seu corpo, através dos sintomas, diz, é uma verdade natural. Mas diante dos dois tipos de verdades, ficamos com a Palavra de Deus!

CHAMANDO O QUE NÃO É COMO SE JÁ FOSSE

O apóstolo Paulo diz em Romanos 4.17 que “Abraão creu no Deus que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem”. Porque ele menciona o Deus que chama as coisas que não são como se já fossem, em conexão com a fé de Abraão? Porque foi assim que Deus se revelou a ele e o ensinou a operar a fé. Antes, seu nome era Abrão; mas Deus mudou seu nome para Abraão, que significa PAI DE MULTIDÕES.

Ele ainda nem sequer tinha seu filho Isaque, mas o Senhor lhe disse: “Você é pai de multidões”! E mesmo quando Isaque nasceu, e depois, quando (com Quetura) veio a ter mais cinco filhos além de Ismael, filho de Agar, Abraão ainda não era pai de multidões, somente de sete filhos. Muitos anos se passaram depois da morte se Abraão para que sua descendência viesse a se tornar multidão. Mas Deus, que chama o que não é como se já fosse, antes mesmo que Abraão se tornasse pai de multidões, passou a chamá-lo como pai de multidões. E não somente fez isto, mas exigiu que Abraão também o fizesse e se chamasse a si mesmo tal qual o Senhor fazia! Ele passou a se chamar e ser chamado pelo novo nome, que era literalmente uma profecia do que ainda haveria de acontecer.

Agora pergunto: Deus, quando chama a existência o que não é como se fosse, está mentindo? É claro que não, pois Ele não pode mentir (Hb 6.18; Tt 1.2)! Como se explica, então, a contradição entre o que Deus dizia de Abraão e o que ele realmente experimentava nesta ocasião? A resposta está no fato que quando ele chama o que não é como se fosse, ESTÁ SE APOIANDO EM VERDADES ESPIRITUAIS que ainda não se manifestaram no reino natural!

Entenda isto: Deus não somente chama a existência o que não é como se fosse, como também exige que você faça o mesmo! Foi isto que Ele exigiu de Abraão, e exige de você também!

“Como andarão dois juntos se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3)

Para andar com Deus, você tem que estar em acordo com ele; tem que dizer o que Ele diz! Em outro texto do Novo testamento vemos a mesma coisa:

“Sede, pois IMITADORES de Deus, como filhos amados”. (Efésios 5.1)

Imitá-lo não é somente sermos santos porque Ele é Santo, mas procurarmos agir da forma como Ele age! Se Ele chama a existência o que não é como se já fosse, porque seria errado fazermos o mesmo? Foi isto que o Senhor exigiu de Abraão; que se chamasse de pai de multidões quando ainda não o era (no natural). E porque o Senhor fez isto? Porque este é o único meio de trazer as realidades do reino espiritual para o reino natural! A única maneira de influenciarmos e transformamos as realidade do reino natural, substituindo-as pelas espirituais (a Palavra de Deus), é FALANDO-AS!

Foi por isto que Deus fez com que Abraão FALASSE, chamando aquilo que alinda não era como já fosse. E fazendo-o, ele entrou na operação da fé. Romanos 4.12 nos fala sobre seguir as pegadas (o exemplo) da fé que teve Abraão. Ou, em outras palavras, devemos proceder como ele. Diante da contradição do reino natural devemos chamar aquilo (promessa bíblica) que ainda não é como já fosse!

Aprecio muito a definição de fé em Hebreus 11.1 na tradução da Bíblia de Jerusalém, que diz: “A Fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”. Quero chamar sua atenção para duas frases deste versículo: “Uma posse antecipada do que se espera”. O que Abraão esperava? Era o cumprimento da promessa, de que ele seria pai de multidões; mas pela fé se apossou disto antes de ser.

“Um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”. Abraão não via no reino natural nada que indicasse que ele fosse pai de multidões; mas estava firme no que Deus havia lhe dito, pois sabia que, se Deus disse, é verdade, e ponto final! Esta era uma REALIDADE ESPIRITUAL, invisível. E a fé é um meio de demonstrar estas realidades que não se vêem.

E como a fé as demonstra? A resposta é: FALANDO e AGINDO sobre estas verdades como se já fossem manifestas no reino natural! Guarde isto: A fé fala (tem uma voz) e age (tem obras). Não entraremos nas obras da fé neste estudo, mas você pode meditar sobre isto em Tiago 2.14-26. Quero me ater agora somente ao falar e não no agir, embora o próprio falar também possa ser incluído no agir.

O único meio de substituir uma realidade natural por uma realidade espiritual, é confessando a palavra, chamando aquilo que não é como se já fosse! Mas porque é assim? Porque é deste modo que a fé opera!

“Ora, temos o mesmo espírito da fé, conforme está escrito: CRI, POR ISTO FALEI; também NÓS CREMOS, POR ISTO TAMBÉM FALAMOS”. (2 Coríntios 4.13)

Crer e falar! A fé se expressa em palavras! Foi isto que Paulo escreveu aos Romanos:

“Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é; a palavra da fé que pregamos. Porque se, com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dente os mortos, serás salvo; pois COM O CORAÇÃO SE CRÊ para a justiça e COM BOCA SE FAZ CONFISSÃO para a salvação.” (Romanos 10.9,10)

Crer e falar. Com o coração se crê e com a boca se faz confissão. A fé no coração, sem a confissão da boca não opera (e vice-versa)! Temos que CRER e FALAR. Não só crer, mas crer e falar! É assim que Deus nos manda agir!

A FÉ DE DEUS

Gosto da tradução portuguesa de Figueiredo do versículo abaixo:

“E respondendo Jesus, lhes disse: TENDE A FÉ DE DEUS. Em verdade vos afirmo que todo o que DISSER a este monte: tira-te, e lança-te no mar, e isto sem hesitar no coração, MAS TENDO FÉ de que tudo o que DISSER sucederá, ele o verá cumprir assim”. (Marcos 11.22, 23 – Figueiredo)

No versículo 22, encontramos a expressão: “tende a fé de Deus”, que normalmente é traduzida nas demais versões portuguesas da Bíblia como: “tende fé em Deus”, mas segundo alguns estudiosos o texto original sugere esta tradução feita pelo padre Figueiredo: “tende a fé de Deus”, razão pela qual lançamos mão dela.

Esta frase nos leva a um enfoque diferente. Não só sabemos que temos que crer em Deus, mas que temos que crer como Deus crê. A fé é a convicção do que não se vê, e em toda a Bíblia, vemos Deus agindo de acordo com o que espera de nós no âmbito da fé. Temos que ter a fé do tipo de Deus.

Jesus tinha amaldiçoado a figueira (Mc 11.14). Ele falou à figueira que nunca mais ninguém comeria dela; e seus discípulos ouviram isto. No dia seguinte, ao passarem por ela, perceberam que havia secado desde as raízes. Pedro, lembrando-se, disse: olha, mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste. Então, diante desta afirmação de Pedro, da figueira ter-se secado pela palavra de Jesus, é que ele diz: “tende a fé de Deus”.

Esta frase está no imperativo; ele manda que tenham a fé de Deus! E qual é a fé de Deus? É uma fé que fala, crendo que o que diz se cumpre!

Foi assim que Deus procedeu na criação do mundo (Hb 1.3). Foi desta maneira que ele não somente agiu, mas exigiu que Abraão também agisse, chamando as coisas que não são como se já fossem. E é assim que Deus quer que nós também procedamos! Caso contrário, Jesus não teria dito: “tende a fé de Deus” ou, em outras palavras: ”a fé do tipo de Deus”; ou ainda: “a fé que Deus tem”.

Jesus demonstrou de modo claro como é a fé do tipo de Deus, quando, após nos mandar tê-la, declarou:

“Em verdade, em verdade vos digo que QUALQUER que DISSER a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar no seu coração, mas crer que fará aquilo que DIZ, assim lhe será feito”. (Marcos 11.23)

Temos várias coisas a observar aqui:

1) A expressão: “não duvidar no seu coração, mas crer”, concorda com Romanos 10.10 que diz: “Com o coração se crê”.

2) Jesus não mandou somente “crer no coração” a fim de remover o monte, mas ele mandou “falar ao monte” e crer que o que se diz acontecerá. E este texto está em harmonia com Rm 10.10 que diz que após haver fé no coração deve haver a confissão verbal.

3) Isto não funciona para alguns somente, pois, Jesus diz: “qualquer que”; e na tradução de Figueiredo encontramos a expressão: “todo que”. Isto significa que eu e você também estamos inseridos nestes versículos!

Fomos criados a imagem e semelhança de Deus, por isso há poder nas nossas palavras quando falamos com fé! Logicamente que não estou dizendo que somos IGUAIS a Deus; mas que fomos criados à sua imagem. Uma gota d’água do oceano difere do oceano em volume, em tamanho, pois é infinitamente menor, mas tem a mesma composição.

Você entende isto? E em matéria de poder nas palavras é como se fossemos a gota e Deus o oceano; só que a proporção teria que ser multiplicada infinitas vezes, pois Deus é infinito. Nossas palavras não criam uma nova realidade, mas quando as usamos para falar as palavras de Deus, então temos o poder de afetar a realidade natural com a espiritual.

A confissão de fé é uma verdadeira semente; tem poder de gerar uma nova condição em nossa vida! Porém, quero deixar bem claro que ao falarmos do poder da confissão, o fazemos em conexão com a Palavra de Deus. É dizer o que Deus diz.

Você constantemente deve estar confessando aquilo que a Escritura diz que você é em Cristo, sua posição n’Ele! Este é o meio de trazer a manifestação das realidades na nova criação para o reino natural.

Pensar que teremos AUTOMATICAMENTE o que nossa posição em Cristo nos dá direito é engano! Como somos salvos? Crendo e confessando. Como nos apoderamos das outras realidades espirituais? Também é crendo e confessando o que cremos!

Volto a afirmar que a manifestação da realidade da nova criação não se dará de modo automático; o mesmo apóstolo Paulo que escreveu que somos novas criaturas com uma nova realidade, também escreveu aos efésios:

“Se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus. A despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e a vos renovar no espírito de vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade”. (Efésios 4.21-24 )

Ao lermos 2 Coríntios 5.17 parece-nos que tudo está feito; mas ao lermos o texto de Efésios acima transcrito, parece-nos que embora tenhamos nascido de novo, os responsáveis em deixar o homem velho de lado e se vestir do novo somos nós mesmos. Em 2 Coríntios 5.17 vemos algo que já nos parece consumado, mas em Efésios 4.21-24 há algo que nós devemos fazer em relação àquilo que está feito. A Bíblia sempre distingue estas realidades. Veja a afirmação de Paulo quando fala do mesmo assunto aos colossenses:

“Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo…” (Colossenses 3.9,10)

Aqui, o apóstolo fala sobre o despir-se do homem velho e o vestir-se do novo como algo já feito; mas que as nossas ações devem estar em harmonia com esta realidade… O fato é que, ESPIRITUALMENTE, há uma nova realidade; e nós somos responsáveis por trazê-la ao REINO NATURAL. Como? Crendo e falando!

Esta nova realidade se encontra em toda a Palavra de Deus, mas em especial nas epístolas, que falam da obra de Cristo e nossa posição n’Ele como resultado que fez por nós e em nosso lugar. Grife e anote à parte quando estiver estudando e meditando na Palavra, tudo que você É, TEM e PODE. E então use esta lista para sua prática de confissão, e gaste tempo declarando estas verdades.

Segue agora pequena relação do que a Palavra do Senhor diz acerca de você, para que possa declarar a sua nova realidade em Cristo. O propósito desta relação de declarações de nossa posição é ajuda-lo a enxergar o que a Bíblia diz. Não uso em minha vida pessoal uma lista escrita do quê confessar. Faço isto com base nos textos bíblicos que conheço e trago em meu coração. Mas uma lista pode ajuda-lo a iniciar esta prática. Portanto, convido-o a terminar este estudo declarando em voz alta estas verdades:

O QUE SOU – Sou uma nova criatura, criado em verdadeira justiça e santidade; sou filho de Deus; sou herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo; sou rei e sacerdote para Deus o Pai; sou justiça de Deus em Cristo; sou cabeça e não calda, e estou sempre por cima e nunca por baixo; sou abençoado em todas as coisas e onde ponho a mão prospera, porque ouço e obedeço ao Senhor; sou santificado em Cristo; sou mais do que vencedor; sou luz do mundo e sal da terra; sou geração eleita , sacerdócio real; nação santa, povo de propriedade exclusiva do Senhor. Sou morada de Deus no Espírito, santuário de Deus na terra. Sou forte porque o Senhor é força da minha vida e maior é aquele que está em mim do que aquele que está no mundo. Sou amado de Deus, precioso a seus olhos! Sou livre de toda condenação, do domínio do pecado e de toda maldição. Sou livre do poder do diabo, pois, fui transportado do reino das trevas para o reino de luz! Sou curado pelas pisaduras de Jesus; sou guardado pelo anjos de Deus.

Eu sou tudo quanto a Bíblia diz que eu sou!

O QUE TENHO. Tenho tudo que pertence ao Pai, pois sou filho e herdeiro. Tenho autoridade sobre todo o poder do diabo em nome de Jesus. Tenho o perdão dos meus pecados e já não há nenhuma condenação para minha vida. Tenho saúde em Cristo e praga nenhuma chega à minha tenda. Tenho a proteção dos anjos de Deus e nenhum mal me sucederá e nenhuma arma forjada contra mim prosperará. Tenho orientação, paz, alegria, consolo, conforto, ajuda e revelação da Palavra de Deus na pessoa do Espírito Santo que em mim habita. Tenho pés de corça e ando nos meus lugares altos. Tenho poder para testemunhar, expelir demônios e curar enfermos pelo Espírito de Deus e em nome de Jesus. Tenho as minhas orações ouvidas, porque os ouvidos do Senhor estão atentos às minhas suplicas e elas muito podem por sua eficácia. Tenho vitória em todas as áreas da minha vida por meio de Jesus Cristo, meu Senhor. Tenho liberdade no Espírito Santo. Tenho vida em abundância. Tenho o amor de Deus que é derramado no meu coração pelo Espírito Santo. Tenho a vida eterna. Tenho toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Tenho a força do Senhor!

Eu tenho tudo quanto a Bíblia diz que eu tenho!

O QUE POSSO – Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Posso reinar em vida. Posso orar pelos enfermos e cativos e testemunhar com poder. Posso exercer autoridade sobre demônios e circunstâncias, pisar em serpentes, escorpiões e nada me fará dano algum. Posso amar e perdoar. Posso em tudo dar graças. Posso viver em saúde, segurança e liberdade. Posso ligar e desligar na terra em concordância com outros e será ligado e desligado nos céus. Posso andar em plena vitória. Posso pedir o que quiser – segundo a vontade/Palavra de Deus e me será feito. Posso viver na benção. Posso vencer a tribulação. Posso vencer a tentação. Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

Posso tudo o que a Bíblia diz que eu posso!

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Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

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