Estudos Bíblicos

PRINCÍPIOS DE INTEGRIDADE – Luciano Subirá

05/12/2018
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Crescemos convivendo com a ideia de que o mundo é dos espertos, e que a melhor forma de se ganhar dinheiro é enganando aos outros. Mas, ao edificarmos o nosso negócio nestas bases, estamos trazendo sobre nós um princípio de maldição, e não de bênção!

A Palavra do Senhor revela que devemos ser justos em nossos negócios. Uma conhecida e antiga prática de “esperteza” nos negócios era o uso de pesos falsos nas balanças para se vender menos por mais aos compradores. Eles usavam um outro peso, diferente do padrão, para lesar os compradores. Observe o que as Escrituras ensinam sobre isto:

“Dois pesos são coisa abominável ao Senhor, e balança enganosa não é boa.” Provérbios 20.23

Alguém que deseje honrar ao Senhor com os seus bens não pode praticar, em seus negócios, o que o próprio Deus chama de abominação. Todo tipo de defraudação e engano é algo abominável ao Senhor. Isto não somente deixa de dar-Lhe honra, mas também O desonra!

FALANDO A VERDADE

Um outro princípio errado, e que portanto não permite a bênção decorrente da integridade na vida de alguém, é a
mentira. A bênção divina está ligada à presença do próprio Deus e a Sua presença em nossas vidas está condicionada
prática de determinados princípios, como por exemplo o falarmos a verdade:

“Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração.” Salmos 15:1,2

Multas pessoas já associaram a ideia de que, para vender, necessário mentir ou exagerar um pouco nos detalhes do produto. Inúmeros negócios estão fundamentados heste falso alicerce. Mas, na vida daquele que quer honrar ao Senhor, não há espaço para este tipo de prática, pois ela ofende a Deus;

“Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu prazer” Provérbios 12:22

A mentira é chamada de algo “abominável” ao Senhor e nada do que alguém diga para argumentar diminui a intensidade deste merecido adjetivo dado pela Palavra de Deus.

Conheço crentes que não mentem para efetuarem as suas vendas em seus negócios. E mesmo assim prosperam; não pelo engano, mas com a bênção de Deus! Além disso, um dos motivos pelos quais eles possuem uma carteira de clientes fiéis se deve ao fato de que eles são dignos de confiança.

A bênção começa nestas coisas pequenas aos nossos olhos, mas que são relevantes aos olhos de Deus. Falar a verdade é um princípio de integridade que traz bênçãos sobre as nossas vidas. Precisamos crer nisto de coração e passar a
vivermos segundo esta convicção.

CUMPRINDO A NOSSA PALAVRA

Além da questão da mentira em si, há também o princípio de de cumprirmos a nossa palavra, ou de não quebrarmos as nossas promessas.

Quando o Diabo consegue fazer com que assimilemos estas práticas mundanas, além de nos roubar a bênção financeira, ele também consegue criar em nós uma imagem errada que nos prejudica em nosso relacionamento com Deus.

Como podemos crer nas promessas de Deus e tratá-las como imutáveis e irrevogáveis, se criamos para nós mesmos uma espécie de relatividade em nossos conceitos de verdade e cumprimento de promessas?

Entre os princípios de integridade abordados, está o de jurarmos e não mudarmos, ainda que com dano próprio:

“Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? …o que jura com dano próprio e
não se retrata.” Salmos 15.1,4b

Eu já fiz muitas promessas das quais me arrependi depois, mas aprendi a cumprir a minha palavra. Nos negócios devemos fazer o mesmo.

Um cristão que quer honrar ao Senhor não pode combinar uma coisa e depois fazer outra. Ele não pode simplesmente voltar atrás em sua palavra, como se de não tivesse prometido nada.

Estas atitudes podem até parecer que ajudam a gerar lucros, mas, no fim, sempre percebemos que lucrar com a falta da benção divina não compensa.

Há muitos crentes que são roubados pelo Diabo em seus negócios porque abrem a porta da maldição pela sua falta de
palavra, que é uma mentira! Para honrar ao Senhor (e sermos honrados por Ele) precisamos aprender a falar somente o que cumpriremos. E, se por acaso prometermos algo do qual venhamos a nos arrepender depois, então devemos honrar esta palavra mesmo que ela nos traga prejuízos.

NÃO ROUBANDO

Roubar nos negócios é uma prática antiga. E a advertência divina contra isto também é milenar. A desonestidade de se vender menos por mais (roubar tanto na quantidade como na qualidade) é abominável ao Senhor. E há tantos cristãos agindo assim!

Lesar alguém pelo engano também é roubar, pois envolve uma perda imposta a alguém.

Deus diz que Ele odeia o roubo. Portanto, devemos fugir disto, se queremos dar-Lhe a honra:

“Porque eu, o Senhor, amo o juízo e odeio a iniquidade do roubo; dar-lhes-ei fielmente a sua recompensa e com eles farei aliança eterna.” Isaías 61.8

Não podemos roubar. A justiça tem que ser a base dos nossos negócios. Os lucros injustos podem parecer bons, por serem mais fáceis, mas, no futuro, o que nos livrará da maldição e do juízo divino é a integridade.

“Os tesouros da impiedade de nada aproveitam, mas a justiça livra da morte.” Provérbios 10.2

“O justo tem o bastante para satisfazer o seu apetite, mas o estômago dos perversos passa fome.” Provérbios 13.25

A integridade pode parecer mais cara hoje, mas o futuro demonstrará que ela é o caminho mais lucrativo. Há crentes
que roubam o seu patrão, usando os materiais da empresa em benefício próprio, fazendo ligações telefônicas, recebendo as horas em que não há produtividade, etc. Isto não é honrar ao Senhor em nossas finanças. E muitas vezes eles se justificam, tentando negar que isto seja um roubo, mas toda apropriação indevida do que não nos pertence é roubo, e ponto final!

O apóstolo Paulo precisou dar a seguinte instrução aos crentes da Igreja de Éfeso: “aquele que furtava, não furte mais…” (Ef 4.28)

Será que aqueles irmãos já não sabiam disto?

A verdade, no entanto, é que muitas vezes roubamos sem admitirmos que se trata de roubo, mas, mesmo assim, isto é pecado, e, na qualidade de uma quebra de integridade, terá o seu preço de ausência de bênção. O meu primeiro emprego foi como office-boy numa repartição estadual. Certa vez comentei com um outro irmão mais maduro na fé que
embora o salário não fosse lá estas coisas, as regalias compensavam. Ao ser indagado sobre estas regalias, mencionei que tirávamos fotocópias de graça ali. E, sem nenhuma preocupação em me agradar, esse irmão me chamou de ladrão e me deu o maior sermão!

E lógico que ninguém gosta de levar bronca, mas não posso negar que o Senhor me convenceu de que o errado era eu! E parei de tirar as fotocópias desde então!

Examine a sua vida, e mesmo que você não seja um homem de negócios, pergunte a você mesmo se você não tem roubado nada.

Só para dar uma dica, reter o dízimo é roubar! Sonegar impostos também! Os patrões que lesam os funcionários em
seus salários também estão roubando e terão perdas ao invés de bênçãos, por causa disso:

“Atendei, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos.” Tiago 5:1-4

Insisto em afirmar que só dizimar e ofertar na igreja não quer dizer que estamos honrando ao Senhor! A forma
como nos comportamos em relação ao uso do dinheiro e dos nossos bens (mordomia) revela se estamos honrando ao
Senhor ou não!

NÃO DANDO NEM ACEITANDO SUBORNOS

O suborno é uma quebra da lei, ou das regras estabelecidas, mediante o pagamento (ou recebimento) de propinas.
Alguém que deveria executar o que é justo e estabelecido se vende por dinheiro, e quem deveria ser punido pelo seu
erro compra a sua impunidade ou facilitação.

A prática do suborno envolve a mentira e a quebra de integridade, tanto de quem paga o suborno como de quem o recebe. Ao falar sobre quem habitaria ou não perante o Senhor, o salmista não deixou de fora da lista este deslize; antes o descreveu como algo que nos exclui da presença do Pai:

“O que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.” Salmos 15.5

A Palavra de Deus, na pregação de João Batista, ainda nos traz um pouco mais de luz sobre este assunto:

“Perguntaram-lhe também uns soldados: E nós, que havemos de fazer? Respondeu-lhes: A ninguém façais violência,
nem deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo.” Lucas 3.14 (TB)

Ao dizer aos soldados que se contentassem com o salário recebido, João Batista estava lhes dizendo claramente que eles deveriam viver do seu salário e não se vender à ganância por meio de subornos. Os nossos policiais, fiscais, e outras autoridades erram quando oferecem o caminho das propinas. E quem se propuser a pagá-las (por já estar errando em alguma outra coisa) estará tão errado quanto os primeiros. Eu conheço policiais militares e fiscais cristãos que não se vendem por dinheiro algum, e, ao agirem assim, estão honrando ao Senhor. Aparentemente eles jogam fora dinheiro e o enriquecimento rápido, mas eles sabem que este é um princípio de Deus: o dinheiro que vem fácil vai fácil, pois não tem a bênção divina!

“Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento.” Provérbios 13.11

O que parece ser tranquilo no começo trará o seu preço posteriormente:

“Suave é ao homem o pão ganho por fraude, mas, depois, a sua boca se encherá de pedrinhas de areia” Provérbios 20.17

Infelizmente, há muitos crentes que aceitam o pagamento de subornos. Se você for pego, com o seu carro, acima do limite de velocidade, não erre uma outra vez, aceitando pagar um trocado em favor da sua liberação! Eu já fui tentado neste sentido. O policial me disse que dez reais eram suficientes para ele fazer vista grossa ao meu erro.

Eu disse que eu não pagaria a propina, que ele podia me multar, uma vez que eu reconhecia o meu erro. Ele me falou que a multa custaria muito mais, que não valia a pena querer ser moralista, e que ele estava querendo me ajudar a não gastar. No entanto, fiquei firme em minha posição. E como foi custoso convencer aquele guarda a multar-me logo! E como foi custoso também pagar a multa depois!

As pessoas pensam no valor da multa e imaginam que é um desperdício pagá-la. E de fato é! Porém, este desperdício
se dá na hora em que infringimos a lei, e não quando o guarda nos pega. Depois de sermos flagrados pela polícia, a propina se torna muito mais cara, espiritualmente falando, pela perda da benção!

Texto extraído do livro “Uma Questão de Honra”

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Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

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