SER VERSUS FAZER – Luciano Subirá

21/06/2021

O que fazemos (obras) deveria ser uma extensão do que somos (caráter). No dia da prestação de contas o Senhor, as obras não serão uma justificativa para ausência de santidade e caráter de Cristo em nós.

“Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” Mateus 7:22-23

Observe que Jesus não chama essas pessoas de mentirosas, alegando que nada daquilo foi de fato feito ou mesmo que não foi feito em Seu nome. Isso nem é contestado. Elas, de fato, realizaram as obras do ministério em
nome de Jesus. E tiveram resultados No entanto o fazer não suprime a necessidade de ser, de ter um caráter que reflita santidade e compromisso com Deus.

A mensagem de Cristo que foi enviada ao anjo (ou mensageiro) da igreja de Éfeso, encontrada no livro do Apocalipse, revela uma crise: performance versus identidade. O Senhor Jesus exalta as obras e o ministério de uma igreja de alta performance. Contudo adverte que, se prosseguisse no pecado de não O amar intensamente – uma violação do maior mandamento (Mc 12.30,31) – Ele retiraria o que antes havia confiado às mãos do mensageiro:

“Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” Apocalipse 2:2-5

A lição que aprendemos aqui é que nosso Senhor Jesus Cristo não está atrás de quem apenas apresente alta produtividade no ministério, mas de gente que seja modelo e referência ao rebanho, que tenha uma conduta exemplar.

O que significa a frase “moverei do seu lugar o teu candeeiro”?

Cristo estava falando de tirar a igreja que havia sido confiada àquele mensageiro! A Bíblia explica a própria Bíblia:

“Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” Apocalipse 1:20

Os candeeiros falam das igrejas e as estrelas dos anjos (ou mensageiros) dessas igrejas. O Senhor está dizendo a um ministério de alta produtividade que o serviço misturado com o pecado não interessa a Ele. Esse ministro deve, portanto, ser removido da sua posição de liderança.

Quando Paulo escreve a Timóteo sobre aqueles que almejam o episcopado (l Tm 3.1), destaca que o bispo precisa ser irrepreensível. Ele apresenta uma lista de 16 qualificações que o obreiro deve ter (se somarmos as dos diáconos), O interessante é que, de todas, somente uma dessas qualificações envolve habilidade: “seja apto para ensinar” (l Tm 3.2). As demais apontam traços de caráter!

Ainda assim, em nossa atual “linha de produção” de obreiros, o que a igreja mais parece valorizar é a habilidade. Se alguém demonstra conhecimento bíblico e prega, ensina, aconselha ou ministra bem, parece ser o suficiente para estar no ministério.

E as outras 15 características e qualificações necessárias dos ministros?

Acabam sendo silenciosamente ignoradas em muitas igrejas e escolas de formação ministerial.

Quais as consequências desse nosso grande erro?

Além da hipocrisia praticada por aqueles que pregam sem dar testemunho de vida, sem um caráter exemplar, ainda temos outro agravante. O padrão de vida cristã sugerido, veladamente, aos que estão debaixo dos cuidados desse tipo de ministro (que possui muita habilidade, mas pouco caráter) é grotescamente rebaixado em relação ao que Deus determinou para o Seu povo.

Sabemos que, mesmo quando o exemplo dos ministros é comprometido, a Palavra de Deus permanece verdadeira e devendo ser proclamada. Como bem disse o próprio Cristo; “Fazei e observai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mt 23.3). No entanto, sem o testemunho dos que estão à frente, o ânimo de obedecer à verdade pode ser comprometido.

Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

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